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Crédito à habitação: 2016 com Euribor em baixo e empréstimos em alta

04 jan 2017
Crédito à habitação: 2016 com Euribor em baixo e empréstimos em alta
Geral, Imobiliário
Os portugueses parecem ter cravado no ADN a vontade de serem proprietários da casa onde vivem e, em 2016, a banca voltou a facilitar-lhes a vida, estando mais disponível para dar mais crédito à habitação e em condições favoráveis. Mas o cenário de Euribor negativas - favorável para as famílias com empréstimo, mas desvantajoso para o setor financeiro - veio mudar o negócio das hipotecas. Em vez das tradicionais taxas variáveis, os bancos agora querem fazer contratos com taxas fixas.

Os portugueses parecem ter cravado no ADN a vontade de serem proprietários da casa onde vivem e, em 2016, a banca voltou a facilitar-lhes a vida, estando mais disponível para dar mais crédito à habitação e em condições favoráveis. Mas o cenário de Euribor negativas - favorável para as famílias com empréstimo, mas desvantajoso para o setor financeiro - veio mudar o negócio das hipotecas. Em vez das tradicionais taxas variáveis, os bancos agora querem fazer contratos com taxas fixas.

Desde as vésperas da chegada da troika a Portugal, em março de 2011, que a banca nacional não dava tanto dinheiro para financiar a compra de casa como aconteceu este ano. No final do primeiro semestre, o crédito à habitação atingiu o valor mais elevado desde então, com um total de 2.699 milhões de euros, segundo o Banco de Portugal.

Em contrapartida, as taxas de juro, implícitas nos contratos de crédito à habitação em Portugal, foram registando novos mínimos históricos, com as Euribor a reforçarem a tendência de queda iniciada há dois anos.

Isto está a significar um positivo impacto para as famílias portuguesas, com uma significativa poupança na hora de pagar o empréstimo ao banco, uma vez que maioria (mais de 90%) dos créditos à habitação em Portugal está indexada a taxas variáveis, subindo ou baixando, consoante a sua tendência. Depois de a prestação da casa ter atingido o ponto mais alto de 35 anos em dezembro de 2011, este ano atingiu o valor mais baixo.  

Por outro lado, este baixo cenário de taxas de juro tem vindo a penalizar a rentabilidade da banca. Em plena guerra para aumentar o negócio do crédito à habitação, dando por exemplos spreads mais baixos (a margem média já baixou 16% desde o início do ano), os bancos agora querem, porém, deixar as taxas de juro variáveis e fazer os novos contratos baseados em taxas fixas. E um terço das operações feitas este ano já são com juros sem alterações.

Para os clientes, a grande vantagem dos empréstimos com taxa fixa face às variáveis é que o valor da prestação mensal se mantém igual durante o prazo estabelecido (entre um ano e 30 anos), o que dá uma maior tranquilidade ao cliente na hora de gerir o orçamento familiar. Para o diretor de marketing da UCI, entidade financeira especializada em crédito à habitação, as taxas variáveis são como ·"jogar na roleta russa".

Mas atenção, as taxas fixas também têm um lado negro. Se estás a considerar pedir um empréstimo para comprar casa, o custo desta taxa - cujo valor é mais elevado e é definido por cada banco - poderá não compensar face às taxas variáveis indexadas à Euribor, sobretudo, se for aplicada por um período curto. Além disso, a comparação e simulação das ofertas do mercado é mais complicada do que nas hipotecas variáveis.

Para lutar contra a perda de rentabilidade que têm vindo a registar nos contratos de crédito à habitação devido às baixas taxas de juro, os bancos tambêm têm vindo a aumentar as comissões. Todas as despesas iniciais dos empréstimos para a compra de casa custam mais do que há um ano. E os encargos regulares também. Alguns gastos foram agravados em 40%.

E além disso, há outras armas que os bancos estão a usar e, muito provalvemente, te vão esconder no momento de pedires um empréstimo para a compra de casa.

Como sabemos que este é um dos maiores passos que se pode dar na vida, preparámos um guia com tudo o que tens de saber sobre crédito à habitação, de forma a evitar que venhas surpresas desagráveis. E se és jovem, também temos uma lista de conselhos especialmente feita a pensar em ti.

Afinal, é preciso evitar ao máximo cair em desgraça e minimizar os riscos de ficar em dívida com o banco. Os dados do Banco de Portugal mostram que esta é uma realidade que apanhou muitas famílias em Portugal, com o crédito malparado a atingir o nível mais alto de sempre do país em junho de 2016.

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